segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Texto

A menina Pinóquio

Feita de carne e vontade

Aprendeu o que é próprio

A uma menina da sua idade



Para agradar ao carpinteiro

Senhor do bom e do mau

Anulou-se por inteiro

Tornou-se menina de pau



Agora fios invisíveis

Estão a guiar-lhe os gestos

E dos mundos possíveis

Só lhe sobraram os restos



Não suporta a verdade

Nem a vida que é acesa

Vive-se pela metade

E precisa de certeza



Defende de queixo erguido

O senhor que a manobra

Que lhe criou o sentido

Na tentação da cobra



Ai que o prazer é maldito

O sacrifício é que eleva

O sentir é proscrito

E da luz fez-se treva.

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Feliz 2010